Historico
O Parthenon foi construído entre 447 e 438 a.C., para comemorar a vitória da democracia ateniense, que incentivou a criação e o desenvolvimento de todas as artes, bem como da política, da filosofia, do teatro e da ciência.
A parte externa da estrutura era formada por pilares que sustentavam vigas em cujas paredes de mármore havia uma série de esculturas. Essas esculturas não eram meros ornamentos, mas integravam a própria construção.
Nos dois séculos seguintes à sua construção, o Parthenon sofreu inúmeros danos, resultantes de ocupações de diferentes exércitos. Em 1687, o general italiano Fancesco Morosini disparou contra a Acrópole, que então servia como depósito de armas para o Império Otomano. Um dos projéteis atingiu o Parthenon, causando grandes estragos, inclusive a destruição da cobertura.
Thomas Bruce, o sétimo Conde de Elgin, foi nomeado Embaixador Britânico para o Império Otomano, em Constantinopla (atual Istambul), no final do século XIX. Na época, Atenas estava ocupada pelo Império Otomano e, para ter acesso à Acrópole, Lord Elgin precisaria de uma carta oficial – ou firman – do Sultão. Em 6 de julho de 1801, o Império supostamente lhe deu uma firman, autorizando-o a entrar na Acrópole e iniciar escavações e retiradas, produzir moldes, remover obstruções e levar qualquer objeto de interesse. Entretanto, jamais se produziu nenhum firman que provasse esse fato.
Logo, a equipe de Elgin começou a retirada das metopes do Parthenon para levá-las à Inglaterra. No entanto, como os frisos e as metopes foram esculpidos diretamente no templo, sua retirada causou a destruição da construção.
No total, Elgin levou para a Inglaterra aproximadamente metade dos frisos e diversas outras esculturas do complexo do Parthenon, sendo por isso considerado um saqueador e um vândalo. (Leia a crítica de Lord Byron a Lord Elgin, “Childe Harold’s Pilgrimage”.)
Depois de um longo debate na Câmara dos Comuns (a câmara inferior do Parlamento Britânico) sobre a legitimidade de um Embaixador Britânico usar de sua posição para a aquisição de antiguidades, os mármores foram vendidos ao Governo Britânico em 1806 e colocados no Museu Britânico. A legalidade da venda foi questionada na época e é ainda hoje, uma vez que nunca existiu prova do direito sobre a retirada dos mármores.
Em agosto de 1982, a conhecida atriz e então ministra Melina Mercouri fez um apelo emocionado na Conferência Internacional dos Ministros de Cultura no México pelo retorno dos mármores ao seu lugar de direito. (Leia os argumentos de Melina Mercouri em um discurso de 1986.)
Em agosto de 1983, formou-se o Comitê Britânico pela Devolução dos Mármores do Parthenon e, desde então, diversos outros comitês globais foram criados.
Em 1998, revelou-se que o Museu Britânico havia danificado os mármores do Parthenon de maneira irreparável e tentou esconder o fato, quando funcionários usaram ferramentas metálicas e fortes abrasivos para clareá-los.
Em 2002, surge uma pesquisa da Ipsos MORI (organização britânica de pesquisas de mercado e opinião pública – Ipsos Market & Opinion Research International) mostrando que 40% dos britânicos apoiavam devolução dos mármores à Grécia, contra apenas 16% a favor de sua manutenção no Museu Britânico.
Em junho de 2009, depois de um investimento de 100 milhões de libras esterlinas, o Novo Museu da Acrópole foi inaugurado e é um dos mais belos e com a tecnologia mais avançada do mundo. Construído à sombra da Acrópole, expõe seções dos mármores pertencentes à Grécia, além de cópias dos mármores faltantes. O Museu Britânico se ofereceu para emprestar os originais ao novo museu, com a condição de que o governo grego o reconhecesse como proprietário legal dos mármores. O governo grego recusou a proposta com a justificativa de que a aceitação da oferta legitimaria o “roubo dos mármores e a escavação dos monumentos, 207 anos atrás”.







